Amor em Silêncio
Cruzaram-se num acaso torto do destino,
entre palavras mal ditas, desencontros e tempestades.
Ela trazia nos olhos a razão dos caminhos seguros,
ele carregava no peito o fogo das improbabilidades.
Nada parecia escrito para os unir.
Os dias passavam em passos hesitantes,
como duas estrelas distantes que brilham na mesma noite,
mas ignoram ainda a força dos seus instantes.
Houve dúvidas, silêncios e receios,
pontes construídas sobre rios de incerteza.
Mas o tempo, paciente escultor dos sentimentos,
foi revelando a beleza escondida na estranheza.
Ela admirou nele a coragem de sonhar sem limites,
a forma como transformava o impossível em horizonte.
Ele descobriu nela a sabedoria dos alicerces,
a luz tranquila que orienta sem nunca se impor.
E assim, sem que o mundo percebesse,
nasceu um amor improvável e verdadeiro.
Um amor feito de conversas tardias,
de cumplicidades guardadas num segredo inteiro.
Porque há amores que não podem ser anunciados,
que vivem entre sombras e promessas sussurradas.
Amores proibidos que florescem discretamente,
como rosas que escolhem a noite para serem admiradas.
Eles sonham juntos, cada um à sua maneira.
Ela desenha mapas, calcula rotas e constrói pontes.
Ele pinta céus onde ainda não existem caminhos,
e vê nascer universos para lá dos montes.
Quando ela vacila perante o risco,
ele oferece asas ao seu pensamento.
Quando ele se perde na emoção das marés,
ela devolve-lhe a calma e o discernimento.
E é nesse equilíbrio raro que se encontram,
entre a prudência e a paixão,
como duas metades diferentes de uma mesma esperança,
batendo em segredo dentro do mesmo coração.
Talvez o mundo nunca conheça a história deles.
Talvez os seus nomes permaneçam ocultos no tempo.
Mas há amores que não precisam de testemunhas,
porque encontram eternidade no simples sentimento.
E enquanto houver sonhos por concretizar,
ideias por criar e caminhos por desbravar,
eles seguirão lado a lado, em silêncio,
guardando no peito aquilo que não podem revelar.
Pois o amor mais forte nem sempre é o mais visível;
às vezes é aquele que vive escondido da multidão,
crescendo todos os dias, sereno e invencível,
na liberdade secreta de dois corações em união.







